sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma canção de amor

Pra você, Marguinha, meu feliz aniversário

Beijo, flor


Já escrevi pequenos cantos de ano novo. Hoje vou relembrar uma canção de amor que trago no peito. Que apesar de tudo ou talvez por isso mesmo, me faça ser tão vibrante e apaixonada por viver. Mas não viver uma vida meia boca, uma coisa assim sem graça, um jeito de quem quase não anda a pé. Mas uma vida de quem se irrita e estremece e enternece com aquele olhar quase sem chão de quem tem pouco ou nada tem.

A canção de amor fala de amizade. De uma, que nasceu tão longe, mas que é minha, pela perfeição. Esteve em momentos cruciantes, imprescindível presença a dizer-me isso passa. A dizer que apesar do meu ano que era mais um, sim, sou mais velha, eu era ainda tão imatura nesse jogo que é viver a vida.

Ela a salvou quando quase morri. E a cicatriz que trago assim, na lateral do abdomen, só me lembra que estou aqui. E que durante 10 dias ela me carregou ao hospital acreditando piamente que minhas dores existiam, não eram fruto de imaginação nem de problemas, que naquele ano tão pesado não faltaram.

Nós, quase siamesas no pensamento, confundíamos o porteiro do terapeuta que tínhamos em comum. Mesmo sem nunca termos ido lá juntas, aquele cara na portaria me chamava por seu nome. Até que ouvi, ao reclamar disso: vocês parecem irmãs. Eu disse: mas ela é branca, eu sou tão negona...

Somos irmãs de alma. Daquelas que nascem procurando pela outra. Daquelas que sabem que encerram em seu peito mais do que segredos ou sofrimento. Encerram no peito alegria por terem participado de momentos importantes: o primeiro filho, a defesa do mestrado, a separação dolorida, o crescimento dos meninos.

Essa menina tão querida, que se chama Margarette, escolhi como sócia, como amiga, como pessoa que é, surpreendente. E descobri, eu que me achava tão minúscula perto do poder que ela exibia na vida, com os homens, com a família e as finanças, que podia também ensinar. Porque nesse percurso aprendi a perdoar, a amar, a vibrar, a querer e mostrar meus quereres a quem me interessar. Aprendi a ser cáustica quando necessário e até a brigar com minha amiga querida, a questionar suas frases, suas ações, seus elaborados pensamentos.

Aprendi que também posso lhe ensinar que a vida é pra gente viver. E quebrar a cara e se arrepender. E que mesmo esse arrependimento pode ser aprendizado. Porque a gente se inspira para outras coisas, se prepara para novas histórias, se mostra mais verdadeira, porque falhou ou porque aprendeu, finalmente, que não é preciso ser perfeita.

Ensinei, acredito, que não tenho culpas. Não vou me arrepender das vezes em que fui com amigos beber cerveja e deixei os filhos dormindo em casa. Não vou me arrepender de algum projeto que ficou pela metade, nem dos momentos em que tive de emendar um trabalho no outro até sentir dor e não conseguir mais fazer um cartaz que fosse.

Queria mesmo era dizer o quanto lhe sou grata. Porque se ela não abrisse meus olhos para o que eu sou, falando da vida que carrego, como Carlos, que eu amo, eu teria esquecido desse sentir. De como curto andar, dançar, parir. O quanto sou família e o quanto sou mulher. O quanto quero sempre descobrir e aprender.

Em julho tem curso de ilustração, tem espanhol. Talvez viagem no próximo ano. Encontrar outros amigos, outros mundos, outras coisas que sosseguem um coração desarvorado pela vontade que sinto de viver entre os meus. E de ser e estar e sentir-me sempre viva. Apesar dos problemas, apesar das coisas que deixei pendentes, apesar de. Porque é preciso ir. Sempre.

Hoje, 11 de junho de 2010, saúdo minha amiga que finalmente completou 40 anos. Sabendo o peso e a importância dessa idade. Sabendo do quanto somos efêmeros. E de como é preciso viver.

Hoje, 11 de junho, digo: te amo para sempre, minha querida.
Carlota
11062010.

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