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domingo, 14 de dezembro de 2014

Portas

Naquele tempo todas as portas estavam fechadas.
Abri-as devagar. Uma ou outra. Poucas.
Não vislumbrei mudanças.
Não percebi nenhuma diferença sobre o que era ou o que estava.
Sobre o que mostrava ou escondia.
Alegria para dividir com amigos.
Tristeza para chorar de leve.
Desejo para morrer com o tempo.
Lembranças para doer de novo.
Olho as frestas de novas portas.
Trancadas, abertas, não sei quais as certas.
Perdi as chaves.

(lembrança de um tempo distante, quase dez anos)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Submersa

Sob a água pressinto o desejo.
E no seu beijo.
Sob a água afogo meus medos,
deixo a vida aflorar.
Submersa, a alma subverte
a ordem das coisas
e eu, novamente,
me encontro em você.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tanto

Dezembro pra mim é misto de melancolia e um contentamento, que se alternam praticamente até o Natal. Depois, volto ao normal, alternando entre humores mais variados.



Hoje, quando eu me encontrar com você,
beija o meu ouvido.
E quando eu ficar nua,
escuta minha pele, toca minha alma.
Não mostra seu desejo, assim, rapidamente.
Mostra devagar.
Pra não me assustar.
Porque hoje carrego comigo uma alegria,
uma saudade, uma falta.
E elas podem ir, assim, de repente.
Porque de repente eu me vi aqui, frente a você.
O que eu queria dizer, era o que mesmo?
De mim e você?
De você sem mim?
Ou de nós dois?
Uma hora isso passa.
Um dia desses.
Depois daquela noite.
Antes do aviso.
Quem sabe, agora?
Me beija devagar?
Me beija?
E deixa eu sentir o beijo,
abraço, sua pele.
Deixa eu roubar com os dedos
um pouco de você.
Pra poder ir.
Sem adeus.


Carlota

15122010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Apenas

Não vou pedir desculpas.
Não adiantariam.
Sinto-me estranha, apenas.
Como se uma amiga tivesse razão
E houvesse duas de mim.
O adeus que eu dei doeu.
Mais uma vez.
E me provoca
Por ter sido escolha.
Sinto-me estranha apenas.
Estrangeira no meu corpo
Em minha casa
Entre os meus.
De novo esse afastamento.
De novo um coração ressentido.
Mesmo ele, de perdão.
Sinto-me estranha, apenas.
E a sensação é de perda.
Como se alguém precisasse dizer:
seja gentil.
Então essas lágrimas não se vestem
Elas me despem, desnudam
Mas o que fica é conhecido demais.
Não precisava ser.
Sinto-me estranha, apenas.
Mesmo sem querer.


Carlota.
21112010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Pequenas coisas

Sou de pequenas coisas.
Livros de bolso.
Bilhetes.
Suaves beijos.
Estes me aquecem.
Sou de rompantes,
quando eles irrompem
e me travam e deixam cega.
Sou de vontade de ficar
mesmo quando vou.
Ou, porque vou
querendo ouvir: fica