A história de nós dois podia ter tido uma roda gigante. Uma tarde no cinema. Podia ter tido um beijo roubado no final de um corredor. Ou dois românticos incorrigíveis em busca de noites de lua cheia, praias desertas, músicas cantadas ao pé do ouvido.
Houve cartas e textos que escrevi. Dos que mandei por email guardo lembrança. Da única carta, não faço idéia do conteúdo. Lembro vagamente de achar que não era. Ou que era algo mais doce. Entre uma vontade de me perder, cansaço. Quando será que começou essa história? Quando sem perceber passei duas horas desenhando você em minha caderneta. Hoje olho o desenho e percebo a quantidade de afeto na fiel reprodução dos pelos do seu braço direito. E como o seu esboço parece com você.
Também sorvete e café, uma cúmplice brincadeira que começou quando quase não havia nada. Só o coração meio descontrolado, mas devia ser impressão essa vontade de comer um pote de sorvete em conjunto, encostados em um posto de gasolina. E de caminhar tanto, tanto, só para evitar a despedida. Quando mais tarde já havia muito, o sorvete era comprado novamente em uma loja de conveniência para dar sabor de menta aos nossos encontros.
Podia ter havido uma declaração de amor verbal, carnal, expressada veementemente. Podia ter havido noites mais claras e não essas noites que passei em claro no sofá da sala. Eu podia ter bebido menos e não ter ligado. Podia ter sido uma outra. Mas fui eu.
Eu que fui ao seu encontro. Eu que me permiti. Eu que me apaixonei e desisti 150 vezes e mais duas. Eu que quis partir. E o café, a noite, o sorvete; o uísque, cerveja, batata frita; a música, o filme, os clipes da MTV; os presentes, as presenças, o calor e a insônia. Os corpos no chuveiro, a água morna e quatro mãos se alternando em suaves e rápidos afagos nas costas.
Será que a roda gigante iria me salvar da insônia? E se tivesse sido antes? Antes de saber tanto de mim? Antes desses 200 anos que carrego em caixas? Antes de uma dor que me partiu? Acho que não era roda gigante afinal. Nem montanha russa, parque, praça, casa. Sempre foi janela e portas. Fechadas.
(E nesse ponto me arrisco em uma gargalhada, largo o mouse, bebo o que ainda está no copo e vou dormir. É bom o silêncio daqui).
Carlota
25032011
sexta-feira, 25 de março de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
Redescobrindo um texto
Lembrei que eu curti muito esse. E, curiosamente, faz pouco mais de um ano que escrevi. Quase profecia, porque vivo a beleza das coisas que escrevi.
Sem medo
Estava me descobrindo um pouco ao caminhar ao sol. Sentia-me feliz
simplesmente por estar carregando uma torta de chocolate, parte de um
ritual que faço em cada manhã de aniversário de cada filho meu.
Lembrava então do primeiro parto, de como tinha ido alegre à
maternidade e de como não senti medo algum. Por nenhuma dor, pelo
desconhecido, por aquelas salas e pessoas que nos mexem e indagam e
nos dizem para esperar ou que chegou a hora.
Sem medo. Talvez seja a atitude que assumo diante da vida hoje e
também a um certo tempo. Algumas decisões implicaram num jeito
estranho de encarar o futuro, como se dele não precisasse esperar nada
que eu não estivesse construindo. Aliás, sem esperar futuro, porque em
certos momentos o fato de estar vivendo era suficiente para continuar.
Pequenas coisas. Dar aulas e ser tímida. Perdão. Separação e três
filhos. Declarar afeto na incerteza da reciprocidade. Mudar quando
necessário. Mestrado. Correr uma semana para entregar um projeto.
Investir em sonhos esperando torná-los concretos. Amar. Dizer não a
uma grana boa, porque era hora de espairecer.
Encontro assim um refúgio em minha alma, no lugar onde à noite observo
meus olhos travessos. E uma certeza engraçada, porque irracional e
assim, toda minha. Como dizer isso? É como saber que o caminho tem
dores e imperfeições e tristezas e perdas. Mas tem também tanta
beleza...
Quando encontro uma palavra amena. Quando alguém me beija. Se me perco
em um abraço e festejo aniversários. Por encontrar os amigos e beber
numa sexta-feira. Por saber que a vida é tanto e toda, e que ainda
vivi pouco. Porque adoro Jack Daniels e poesia sem métrica, ideias,
conversa à toa. Porque não sou definitiva e nem espero que nada seja.
Então sigo. Sem medo.
Carlota
10122009.
Sem medo
Estava me descobrindo um pouco ao caminhar ao sol. Sentia-me feliz
simplesmente por estar carregando uma torta de chocolate, parte de um
ritual que faço em cada manhã de aniversário de cada filho meu.
Lembrava então do primeiro parto, de como tinha ido alegre à
maternidade e de como não senti medo algum. Por nenhuma dor, pelo
desconhecido, por aquelas salas e pessoas que nos mexem e indagam e
nos dizem para esperar ou que chegou a hora.
Sem medo. Talvez seja a atitude que assumo diante da vida hoje e
também a um certo tempo. Algumas decisões implicaram num jeito
estranho de encarar o futuro, como se dele não precisasse esperar nada
que eu não estivesse construindo. Aliás, sem esperar futuro, porque em
certos momentos o fato de estar vivendo era suficiente para continuar.
Pequenas coisas. Dar aulas e ser tímida. Perdão. Separação e três
filhos. Declarar afeto na incerteza da reciprocidade. Mudar quando
necessário. Mestrado. Correr uma semana para entregar um projeto.
Investir em sonhos esperando torná-los concretos. Amar. Dizer não a
uma grana boa, porque era hora de espairecer.
Encontro assim um refúgio em minha alma, no lugar onde à noite observo
meus olhos travessos. E uma certeza engraçada, porque irracional e
assim, toda minha. Como dizer isso? É como saber que o caminho tem
dores e imperfeições e tristezas e perdas. Mas tem também tanta
beleza...
Quando encontro uma palavra amena. Quando alguém me beija. Se me perco
em um abraço e festejo aniversários. Por encontrar os amigos e beber
numa sexta-feira. Por saber que a vida é tanto e toda, e que ainda
vivi pouco. Porque adoro Jack Daniels e poesia sem métrica, ideias,
conversa à toa. Porque não sou definitiva e nem espero que nada seja.
Então sigo. Sem medo.
Carlota
10122009.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Sem medo
Às vezes o coração fica apertado de medo. Como um frágil coração de passarinho. Assustadiço. Mas, e se eu voar?
(para um jogador de polo)
(para um jogador de polo)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Tanto
Dezembro pra mim é misto de melancolia e um contentamento, que se alternam praticamente até o Natal. Depois, volto ao normal, alternando entre humores mais variados.
Hoje, quando eu me encontrar com você,
beija o meu ouvido.
E quando eu ficar nua,
escuta minha pele, toca minha alma.
Não mostra seu desejo, assim, rapidamente.
Mostra devagar.
Pra não me assustar.
Porque hoje carrego comigo uma alegria,
uma saudade, uma falta.
E elas podem ir, assim, de repente.
Porque de repente eu me vi aqui, frente a você.
O que eu queria dizer, era o que mesmo?
De mim e você?
De você sem mim?
Ou de nós dois?
Uma hora isso passa.
Um dia desses.
Depois daquela noite.
Antes do aviso.
Quem sabe, agora?
Me beija devagar?
Me beija?
E deixa eu sentir o beijo,
abraço, sua pele.
Deixa eu roubar com os dedos
um pouco de você.
Pra poder ir.
Sem adeus.
Carlota
15122010
Hoje, quando eu me encontrar com você,
beija o meu ouvido.
E quando eu ficar nua,
escuta minha pele, toca minha alma.
Não mostra seu desejo, assim, rapidamente.
Mostra devagar.
Pra não me assustar.
Porque hoje carrego comigo uma alegria,
uma saudade, uma falta.
E elas podem ir, assim, de repente.
Porque de repente eu me vi aqui, frente a você.
O que eu queria dizer, era o que mesmo?
De mim e você?
De você sem mim?
Ou de nós dois?
Uma hora isso passa.
Um dia desses.
Depois daquela noite.
Antes do aviso.
Quem sabe, agora?
Me beija devagar?
Me beija?
E deixa eu sentir o beijo,
abraço, sua pele.
Deixa eu roubar com os dedos
um pouco de você.
Pra poder ir.
Sem adeus.
Carlota
15122010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Morto vivo
O caso já acabou há anos e você ainda suspira? E procura cartões antigos, relembra perfumes, arruma desculpas para o namoro ter acabado e se considera o grande amor da vida dele (apenas ele não se deu conta disso)? Pois é, carregando um morto vivo por aí e nem sabe. Ou vai me dizer que acha normal seguir o perfil dele no facebook, olhar as fotos, vez em quando engatar um papo via email (para relembrar as vezes em que eles foram pródigos e calientes) e ter uma resposta lacônica?
Querida, a fila anda e a catraca gira. Em frente, certinho? Nada de se agarrar com aquela seleção musical que te lembra dançar com ele, nada de olhar a lua cheia e pensar naquela noite em Japaratinga, nada de ir na Livraria Cultura catar o livro de um autor que, você sabe, ele adora.
Medida profilática um é deletar o número dele da sua agenda do celular. A dois é, ai, deus lhe dê forças, apagar os emails dele da sua caixa postal, incluindo aí também as mensagens românticas ou sacaninhas que ainda habitam o seu telefone. Doeu, pois é, mas é preciso ir adelante, cariño, se não, corre o risco de virar uma moçoila suspirante e aflita, com rancores e rompantes inimigos de qualquer cara que queira se aproximar de você.
Então que estamos decididas. Felizes. Recomeçando. Do curso de idiomas a uma aula de sapateado. E vai que quando você decide ficar em casa, naquela sexta à noite, a assombração te liga perguntando onde você está. Assim, na maior tranqüilidade, pra não dizer cara de pau. E você fora de si porque resolveu ficar em casa e ela fica a quilômetros de qualquer oportunidade de reencontro. Nem pense em sair, viu? Melhor brincar que vai dormir.
Tá. Combinado. Eis que o céu conspira e te traz um outro telefonema, em plena manhã de terça-feira. Um tchau tão definitivo – você pensa – devia mesmo era ter dito: fui! E uma conversa mansa, sem pé nem cabeça, com certeza não envolvia álcool que eram apenas 9h30. A surpresa só não é maior porque você conseguiu ser articulada o suficiente pra dizer: meu bem, já era.
E você, que está levinha, comprou duas saias vaporosas e cinco camisetas para curtir o verão, planeja a viagem do próximo ano e quer romper o ano sozinha e de branco em uma praia linda (ainda bem que parcelam pacotes de réveillon), só consegue pensar que dezembro, definitivamente, é o mês do malassombro. Portanto, querida, se benza, espante os morto vivos e os nem tanto e caia na farra com sua solteirice. E nem precisa ter lido Simone de Beauvoir pra saber que essa liberdade às vezes é solitária, mas garante algo compensador: a verdade de estar com quem você quer, apenas quando você quiser.
Carlota
08122010
Querida, a fila anda e a catraca gira. Em frente, certinho? Nada de se agarrar com aquela seleção musical que te lembra dançar com ele, nada de olhar a lua cheia e pensar naquela noite em Japaratinga, nada de ir na Livraria Cultura catar o livro de um autor que, você sabe, ele adora.
Medida profilática um é deletar o número dele da sua agenda do celular. A dois é, ai, deus lhe dê forças, apagar os emails dele da sua caixa postal, incluindo aí também as mensagens românticas ou sacaninhas que ainda habitam o seu telefone. Doeu, pois é, mas é preciso ir adelante, cariño, se não, corre o risco de virar uma moçoila suspirante e aflita, com rancores e rompantes inimigos de qualquer cara que queira se aproximar de você.
Então que estamos decididas. Felizes. Recomeçando. Do curso de idiomas a uma aula de sapateado. E vai que quando você decide ficar em casa, naquela sexta à noite, a assombração te liga perguntando onde você está. Assim, na maior tranqüilidade, pra não dizer cara de pau. E você fora de si porque resolveu ficar em casa e ela fica a quilômetros de qualquer oportunidade de reencontro. Nem pense em sair, viu? Melhor brincar que vai dormir.
Tá. Combinado. Eis que o céu conspira e te traz um outro telefonema, em plena manhã de terça-feira. Um tchau tão definitivo – você pensa – devia mesmo era ter dito: fui! E uma conversa mansa, sem pé nem cabeça, com certeza não envolvia álcool que eram apenas 9h30. A surpresa só não é maior porque você conseguiu ser articulada o suficiente pra dizer: meu bem, já era.
E você, que está levinha, comprou duas saias vaporosas e cinco camisetas para curtir o verão, planeja a viagem do próximo ano e quer romper o ano sozinha e de branco em uma praia linda (ainda bem que parcelam pacotes de réveillon), só consegue pensar que dezembro, definitivamente, é o mês do malassombro. Portanto, querida, se benza, espante os morto vivos e os nem tanto e caia na farra com sua solteirice. E nem precisa ter lido Simone de Beauvoir pra saber que essa liberdade às vezes é solitária, mas garante algo compensador: a verdade de estar com quem você quer, apenas quando você quiser.
Carlota
08122010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Como quando a gente volta (ou se encontra)
Caixas se espalhavam por todos os lados. Porta retratos, bichos de pelúcia, lindas xícaras prateadas, pantufas coloridas. Um computador, calculadora, canetas, três mulheres quase enlouquecidas com tanto a fazer. Eis que há uma pausa rósea, aliás, sorridente, rósea e gentil. Um amigo que decide fazer um brinde delicado, trazendo flores, abraços e braços para o trabalho que não findava naquela noite de quinta.
Em meio à confusão, ao esforço de iluminar as janelas fazendo com que o pisca-pisca de 15 metros desse pra tudo, deu oito da noite e era preciso correr. Mas a pressa foi bem vinda, porque abriu espaço para todos irem até o bar mais próximo, experimentar novamente beber juntos, numa barulhenta conversa entre quatro pessoas.
Da cerveja inicial a opção ficou para o clone de uísque. Todos bebemos e brindamos, brindamos e bebemos. Era dia 25, aniversário de um ano e, também, sabíamos apenas as três, de uma semana de uma briga intensa e um retomar cuidadoso, como se ainda fosse preciso reconhecer o terreno que sempre fora nosso.
Mas a pausa era conversa pra horas. E a comida demorava, o garçon se chamava Max (Groucho Max, será?) porque simpático e amistoso e todos com fome até que a carne veio e nos fizemos carne também. Vivos, presentes, alegres. Naquele papo que diz muito e quase não diz nada, surge o convite para um café. Aliás, para um licor, café foi sugestão para acompanhar. E, porque não dizer, diminuir o teor alcoólico do meu sangue, que já beirava o limite do aceitável, face ao cansaço de quem ainda queria encadernar oito blocos (projeto que se revelou impossível ao chegar em casa a uma da manhã).
Eu me instalo na cozinha, para mim o espaço mais interessante de uma casa, quando preciso me ambientar sem me intrometer demais no espaço alheio. Vou lá, pra moka, explicando ser necessário colocar apenas 2/3 de água, o café no filtro sem apertar, indo para a sala apenas durante o licor (ou antes corremos o apartamento, as três? Não lembro). Amarula é maravilhoso com café. Puro também. Mas o melhor da noite foi ser surpreendida com tanta gentileza.
O perfume do café invadiu a sala. Achei que podia ter ficado mais forte, mas todo mundo curtiu. Eu estava curtindo estar ali. Sem preocupações com uma festa iminente, com uma dia em que teria no mínimo 12 horas consecutivas de trabalho, com voltar para casa. Acho que só senti falta de música, que ando procurando-a por onde vou. Mas não foi uma falta percebida no momento. Só agora, lembrando, lembrei disso.
Diferenças entre críquete e pólo. Entre alazões, baios e outros dos quais me esqueci o nome. Observar uma negrita muy bella, que parece um convite à liberdade e ao vento no rosto. Encerrar a noite com um abraço curto e gostoso. Estávamos todos um pouco altos. E muito, muito alegres. Entreguei-me à minha cama e nem pensei na ressaca que poderia surgir. O aniversário fora pleno. E feliz.
Carlota. 29112010
Em meio à confusão, ao esforço de iluminar as janelas fazendo com que o pisca-pisca de 15 metros desse pra tudo, deu oito da noite e era preciso correr. Mas a pressa foi bem vinda, porque abriu espaço para todos irem até o bar mais próximo, experimentar novamente beber juntos, numa barulhenta conversa entre quatro pessoas.
Da cerveja inicial a opção ficou para o clone de uísque. Todos bebemos e brindamos, brindamos e bebemos. Era dia 25, aniversário de um ano e, também, sabíamos apenas as três, de uma semana de uma briga intensa e um retomar cuidadoso, como se ainda fosse preciso reconhecer o terreno que sempre fora nosso.
Mas a pausa era conversa pra horas. E a comida demorava, o garçon se chamava Max (Groucho Max, será?) porque simpático e amistoso e todos com fome até que a carne veio e nos fizemos carne também. Vivos, presentes, alegres. Naquele papo que diz muito e quase não diz nada, surge o convite para um café. Aliás, para um licor, café foi sugestão para acompanhar. E, porque não dizer, diminuir o teor alcoólico do meu sangue, que já beirava o limite do aceitável, face ao cansaço de quem ainda queria encadernar oito blocos (projeto que se revelou impossível ao chegar em casa a uma da manhã).
Eu me instalo na cozinha, para mim o espaço mais interessante de uma casa, quando preciso me ambientar sem me intrometer demais no espaço alheio. Vou lá, pra moka, explicando ser necessário colocar apenas 2/3 de água, o café no filtro sem apertar, indo para a sala apenas durante o licor (ou antes corremos o apartamento, as três? Não lembro). Amarula é maravilhoso com café. Puro também. Mas o melhor da noite foi ser surpreendida com tanta gentileza.
O perfume do café invadiu a sala. Achei que podia ter ficado mais forte, mas todo mundo curtiu. Eu estava curtindo estar ali. Sem preocupações com uma festa iminente, com uma dia em que teria no mínimo 12 horas consecutivas de trabalho, com voltar para casa. Acho que só senti falta de música, que ando procurando-a por onde vou. Mas não foi uma falta percebida no momento. Só agora, lembrando, lembrei disso.
Diferenças entre críquete e pólo. Entre alazões, baios e outros dos quais me esqueci o nome. Observar uma negrita muy bella, que parece um convite à liberdade e ao vento no rosto. Encerrar a noite com um abraço curto e gostoso. Estávamos todos um pouco altos. E muito, muito alegres. Entreguei-me à minha cama e nem pensei na ressaca que poderia surgir. O aniversário fora pleno. E feliz.
Carlota. 29112010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Apenas
Não vou pedir desculpas.
Não adiantariam.
Sinto-me estranha, apenas.
Como se uma amiga tivesse razão
E houvesse duas de mim.
O adeus que eu dei doeu.
Mais uma vez.
E me provoca
Por ter sido escolha.
Sinto-me estranha apenas.
Estrangeira no meu corpo
Em minha casa
Entre os meus.
De novo esse afastamento.
De novo um coração ressentido.
Mesmo ele, de perdão.
Sinto-me estranha, apenas.
E a sensação é de perda.
Como se alguém precisasse dizer:
seja gentil.
Então essas lágrimas não se vestem
Elas me despem, desnudam
Mas o que fica é conhecido demais.
Não precisava ser.
Sinto-me estranha, apenas.
Mesmo sem querer.
Carlota.
21112010
Não adiantariam.
Sinto-me estranha, apenas.
Como se uma amiga tivesse razão
E houvesse duas de mim.
O adeus que eu dei doeu.
Mais uma vez.
E me provoca
Por ter sido escolha.
Sinto-me estranha apenas.
Estrangeira no meu corpo
Em minha casa
Entre os meus.
De novo esse afastamento.
De novo um coração ressentido.
Mesmo ele, de perdão.
Sinto-me estranha, apenas.
E a sensação é de perda.
Como se alguém precisasse dizer:
seja gentil.
Então essas lágrimas não se vestem
Elas me despem, desnudam
Mas o que fica é conhecido demais.
Não precisava ser.
Sinto-me estranha, apenas.
Mesmo sem querer.
Carlota.
21112010
Assinar:
Postagens (Atom)