Sentiu vontade de ouvir segredos. Daqueles, descritos nos olhos, repletos de silêncios. Havia uma caixa aqui. Estava fechada e de repente escorregou. Exposta assim sua forma, parecia simples, artefato de madeira que não encaixava mais direito e, por isso, permanecia aberto.
Esforço. Tentativa. Nada. Continuava lá, aberta. Incerta. Poderia reunir poemas, fotos antigas, ter guardado uma minúscula mecha de cabelo ou o crucifixo da família. Pequena. Nada tinha disso. Leve. Quase pluma.
Como etérea fosse, permitiu correr. Vento no rosto amenizava a canseira do dia. Passos cada vez mais rápidos impediam o pensamento traiçoeiro. Ainda não. O lugar não é esse. Continua a correr. Está mais longe.
Sem fôlego. Respirar era difícil. Abre o peito e sente o ar entrar. Devagar agora. Baixa o ritmo de vez, tonta do esforço. Os pés doem, as mãos formigam. Vertigem. Libertadora. Não precisava ser firme nem ater-se ao gesto.
Delicada vontade de ouvir segredos. Manhã de caixa e peito abertos. Por um triz.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Domingo de mãe
Acho que cada mãe já teve um insight sobre isso. Não naquele estilo comercial da Avon (locomotiva de amor), tampouco daquele da Renner (horrível, para as que são mães e para as que continuam sonhando). Mãe sabe o quanto é difícil ser. O quanto tem dias de não sabermos ao certo nem quem somos e nos quais a responsabilidade de ter aqueles olhos cheios de confiança nos olhando pesa, porque não queremos decepcionar e nem que o filho sofra uma.
Meu dia das mães começou com crianças me falando de sua fome (e com beijos, beijoqueiros esses meninos!). O almoço foi festivo, com tia e prima-sobrinha-afilhada temperando a tarde com suas companhias, assim como a de minha irmã. Presente ainda o marido da tia, que terminou roubando de mim sua presença pouco depois de nos empanturrarmos de afeto.
Assisti a um filme, subi para tirar um cochilo. Mas antes disso, na despedida, lembrei de minha avó, a matriarca da família Pacheco. A que nos reunia em torno dela em datas especiais, com uma culinária de anos passados junto ao fogão, com prazer. Ainda não comi feijão nem peixada de coco mais gostosos. Mesmo imitando-a na arte de fazer fatia parida, não chego aos pés no sabor. Talvez porque eu use leite de coco de caixinha, ao invés de raspar o fruto por horas...
Quando criança dizia que ela era meu travesseirinho (barrigudinha, minha avó). Calada, olhos profundos, dizia tão pouco de si. Mas sabia tanto e sempre. Senti sua falta nesse domingo. Falta do seu apetite na mesa, daquele estar prolongado, em que a gente nem mais conversa, mas convive e partilha o sentimento simplesmente por estar perto.
Dela herdei o gosto de receber amigos, mesmo que isso seja raro, por parar pouco em casa. O receber, o dar, o doar o que sei, termino levando comigo para onde vou. Na casa da comadre faço bolos, crepes, lavo os pratos. Ou só converso junto a um balcão, arrastando um banco, cadeira, o que estiver mais perto.
Dos presentes recebidos, alguns foram inesperados. Ian inventando música enquanto tomava banho, finalzinho de noite, rimando, aquele menino cacheado. Marina me dando aqueles mil pequenos beijos e perdoando do jeitinho dela meu atraso na festinha da escola. Igor me dizendo: você é legal assim, apertando o meu pescoço num abraço, durante o qual repetiu: mãe, você é muito legal!
Presentes são eles, por fazerem parte. Por saberem de minhas dúvidas, temores, angústias. Por conhecerem meu humor, minha paciência, minha quase demência quando estou alegre. Por saberem que podemos contar uns com os outros, companheiros de vida e de afeto, de felicidade e de poesia, porque eles - assim como eu - inventam músicas, versos, desenham - expressam de mil formas diferentes o que pensam, o que sonham, o que às vezes nem conseguimos dizer direito.
O domingo foi de sol. A tarde, após o cochilo, foi encerrada com um breve passeio de bicicleta ao lado de meu filho mais velho. Que pediu, chegados à nossa rua, vamos lado a lado? Vamos filho. Lado a lado. Feliz por estar aqui.
Carlota
11052010
Meu dia das mães começou com crianças me falando de sua fome (e com beijos, beijoqueiros esses meninos!). O almoço foi festivo, com tia e prima-sobrinha-afilhada temperando a tarde com suas companhias, assim como a de minha irmã. Presente ainda o marido da tia, que terminou roubando de mim sua presença pouco depois de nos empanturrarmos de afeto.
Assisti a um filme, subi para tirar um cochilo. Mas antes disso, na despedida, lembrei de minha avó, a matriarca da família Pacheco. A que nos reunia em torno dela em datas especiais, com uma culinária de anos passados junto ao fogão, com prazer. Ainda não comi feijão nem peixada de coco mais gostosos. Mesmo imitando-a na arte de fazer fatia parida, não chego aos pés no sabor. Talvez porque eu use leite de coco de caixinha, ao invés de raspar o fruto por horas...
Quando criança dizia que ela era meu travesseirinho (barrigudinha, minha avó). Calada, olhos profundos, dizia tão pouco de si. Mas sabia tanto e sempre. Senti sua falta nesse domingo. Falta do seu apetite na mesa, daquele estar prolongado, em que a gente nem mais conversa, mas convive e partilha o sentimento simplesmente por estar perto.
Dela herdei o gosto de receber amigos, mesmo que isso seja raro, por parar pouco em casa. O receber, o dar, o doar o que sei, termino levando comigo para onde vou. Na casa da comadre faço bolos, crepes, lavo os pratos. Ou só converso junto a um balcão, arrastando um banco, cadeira, o que estiver mais perto.
Dos presentes recebidos, alguns foram inesperados. Ian inventando música enquanto tomava banho, finalzinho de noite, rimando, aquele menino cacheado. Marina me dando aqueles mil pequenos beijos e perdoando do jeitinho dela meu atraso na festinha da escola. Igor me dizendo: você é legal assim, apertando o meu pescoço num abraço, durante o qual repetiu: mãe, você é muito legal!
Presentes são eles, por fazerem parte. Por saberem de minhas dúvidas, temores, angústias. Por conhecerem meu humor, minha paciência, minha quase demência quando estou alegre. Por saberem que podemos contar uns com os outros, companheiros de vida e de afeto, de felicidade e de poesia, porque eles - assim como eu - inventam músicas, versos, desenham - expressam de mil formas diferentes o que pensam, o que sonham, o que às vezes nem conseguimos dizer direito.
O domingo foi de sol. A tarde, após o cochilo, foi encerrada com um breve passeio de bicicleta ao lado de meu filho mais velho. Que pediu, chegados à nossa rua, vamos lado a lado? Vamos filho. Lado a lado. Feliz por estar aqui.
Carlota
11052010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
De como as palavras geram mal-entendidos
Terça-feira o despertador me assustou. Pensei ser 10 da manhã, quando na verdade eram 7h40. Aproveitei e, antes do trabalho, fui caminhar na praia. Melhoro meu tempo a cada dia, porque faço o mesmo percurso de antes e ainda dou uma parada para olhar o mar, chegando em casa exatamente uma hora depois de ter saído.
Haviam tarefas me esperando. Por vezes não sei por qual delas começar. A opção, algumas vezes, é o mais urgente. Mas como as urgências estão cada vez mais frequentes, tenho dias de ansiedade. Mas na terça, não. Tinha tranquilidade por saber ter tempo para criar. Canetas, caderno, lápis de desenho, revistas, uma infinita pesquisa por fontes e referências legais.
O lance foi uma frase. Justo para quem trabalha com elas. Cada um entendeu de um jeito e se armou como pode. Ergueu muros de defesa ou de irritação. No desespero, fiquei sem rumo. E como a adivinhar o desamparo, liga um ex-vizinho falando da saudade, da convivência, do querer que eu conhecesse a casa nova. E ainda diz que me ama no final da ligação, coisa boa de ouvir assim, de surpresa, ainda início de tarde.
Minha avó me orientava a não falar certas palavras em casa, uma espécie de superstição sobre a força de cada uma delas. Hoje prefiro que meus filhos também não digam algumas, a herança é maior que a racionalidade. Uma frase pode provocar reações inesperadas. Lembro das que escrevi para algumas pessoas. Mesmo depois de meses, eram capazes de repeti-las, numa espécie de acusação ou de deslumbre, dependendo da dor ou do afeto.
Algumas eu disse mesmo. E me arrependi. Algumas histórias contei não sei pra quê. Mania de ser sincera demais, expor demais o que nem sempre é preciso. Porque depois disso, não tem volta. Não tem borracha ou amnésia. Está lá.
Ao mesmo tempo, a escrita me ajudou na mesma semana em que falaram do meu auto controle. Para suavizar um percurso que provocava angústia, fui retomando coisas que me deixam feliz, repassando-as para alguém querido. Engraçado foi ter de repetir a lista para mim mesma quase como um mantra, até equilibrar de novo a mulher que eu sou.
Bem, o final do domingo me trouxe de volta. Amigo me visita para ouvir de mim. Elogios pelo jantar, perguntas sobre a vida, café relembrando antigos convívios. E antes que eu notasse, estava amena. Precisava daquela partilha, daquele café, daquela companhia. Precisava de alguém para quem eu me mostrasse sem reservas, pelo amplo tempo de amizade construída.
Chegou, enfim, a segunda. E a semana será minha.
Carlota
19042010
Haviam tarefas me esperando. Por vezes não sei por qual delas começar. A opção, algumas vezes, é o mais urgente. Mas como as urgências estão cada vez mais frequentes, tenho dias de ansiedade. Mas na terça, não. Tinha tranquilidade por saber ter tempo para criar. Canetas, caderno, lápis de desenho, revistas, uma infinita pesquisa por fontes e referências legais.
O lance foi uma frase. Justo para quem trabalha com elas. Cada um entendeu de um jeito e se armou como pode. Ergueu muros de defesa ou de irritação. No desespero, fiquei sem rumo. E como a adivinhar o desamparo, liga um ex-vizinho falando da saudade, da convivência, do querer que eu conhecesse a casa nova. E ainda diz que me ama no final da ligação, coisa boa de ouvir assim, de surpresa, ainda início de tarde.
Minha avó me orientava a não falar certas palavras em casa, uma espécie de superstição sobre a força de cada uma delas. Hoje prefiro que meus filhos também não digam algumas, a herança é maior que a racionalidade. Uma frase pode provocar reações inesperadas. Lembro das que escrevi para algumas pessoas. Mesmo depois de meses, eram capazes de repeti-las, numa espécie de acusação ou de deslumbre, dependendo da dor ou do afeto.
Algumas eu disse mesmo. E me arrependi. Algumas histórias contei não sei pra quê. Mania de ser sincera demais, expor demais o que nem sempre é preciso. Porque depois disso, não tem volta. Não tem borracha ou amnésia. Está lá.
Ao mesmo tempo, a escrita me ajudou na mesma semana em que falaram do meu auto controle. Para suavizar um percurso que provocava angústia, fui retomando coisas que me deixam feliz, repassando-as para alguém querido. Engraçado foi ter de repetir a lista para mim mesma quase como um mantra, até equilibrar de novo a mulher que eu sou.
Bem, o final do domingo me trouxe de volta. Amigo me visita para ouvir de mim. Elogios pelo jantar, perguntas sobre a vida, café relembrando antigos convívios. E antes que eu notasse, estava amena. Precisava daquela partilha, daquele café, daquela companhia. Precisava de alguém para quem eu me mostrasse sem reservas, pelo amplo tempo de amizade construída.
Chegou, enfim, a segunda. E a semana será minha.
Carlota
19042010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Diz
Existe algo que não é dito, assim como há pessoas que, em algum momento, deixam de falar. E escondem, sublimam, anulam.
Tentei lembrar de quando começou o silêncio. Mais ou menos quando a gentileza foi posta de lado e o desejo assumiu a carne.
Estranhos que se tocam e silenciam, por não haver nada a dizer ou no temor de revelar algo profundo, sobre o qual é difícil contar.
Palavras sugestivas, estimulantes, provocadoras. Frases ditas ao ouvido, às escuras, ao som intermitente de um cd.
Uma espécie de dor essa, esconder-se da fragilidade, do querer coisas outras. Me surpreendo com esses silêncios, sem partilha, entrega. Mas houve dias de entrar no jogo e ficar e também de ter angústia.
Quando não é preciso dizer o encontro suprime a falta. Quando não há compaixão, o silêncio cala fundo.
Carlota 06042010
Tentei lembrar de quando começou o silêncio. Mais ou menos quando a gentileza foi posta de lado e o desejo assumiu a carne.
Estranhos que se tocam e silenciam, por não haver nada a dizer ou no temor de revelar algo profundo, sobre o qual é difícil contar.
Palavras sugestivas, estimulantes, provocadoras. Frases ditas ao ouvido, às escuras, ao som intermitente de um cd.
Uma espécie de dor essa, esconder-se da fragilidade, do querer coisas outras. Me surpreendo com esses silêncios, sem partilha, entrega. Mas houve dias de entrar no jogo e ficar e também de ter angústia.
Quando não é preciso dizer o encontro suprime a falta. Quando não há compaixão, o silêncio cala fundo.
Carlota 06042010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Aprendizados
Não consegui ainda aprender a conviver com outras mães num mesmo aniversário. A reunião de mais que cinco delas, sem contar a anfitriã, me deixa sem jeito. Se a timidez não me permite falar muito, algumas também não me inspiram grandes conversas. Talvez por eu nunca estar presente nas reuniões de pais e mestres, não ter inscrito meu filho no curso preparatório da primeira comunhão, vai me faltando assunto. Sorriso educado, mas parece que sempre um par de olhos vai me observar como quem não sabe quem sou eu e o que estou fazendo ali.
Melhor da festa foi fazer o caçula vencer o medo e entrar na piscina mesmo sem saber nadar. Uma saia leve, pelos joelhos, foi perfeita para ficar junto da água, que preocupada não descuidei no início desse menino enquanto se sentia inseguro. Fui me afastando aos poucos e aproveitei para curtir o sol, estendendo a saia entre as pernas para ela secar mais rápido. Longe das mães e próxima às crianças, creio que fiquei uma meia hora embaixo do sol. Tão bom, fazer nada assim.
Momento de me aproximar, para ninguém pensar que sou bicho do mato. Falo mais com a dona da casa, com a mãe de uma coleguinha do meu filho mais velho, simpática e agradável. Mas eis que aparece uma esquisita por lá, a falar baixo, a puxar a outra como a contar segredos, ui, isso me dá impaciência! E só tinha guaraná, que era festa de criança, nada mais justo (mas se tivesse um pai na área, garanto que tinha saído uma cerveja, tenho certeza).
Após quase seis horas de comemorações, fomos pra casa, curtindo a leveza de encontrar, quase no final da festa, uma amiga querida. Dessas mães que também se sentem isoladas no meio das muito certinhas e envolvidas em seu próprio grupo de conhecidas. Escuto-a dizer que se soubesse da minha presença teria ficado. Mas como cheguei tarde (mais de uma hora de atraso), ela terminou indo embora, deixando o filho curtindo a festa.
Criança tem de ser criança, dizia. De brincar e ainda cantar com quem será no finalzinho do parabéns. De ficar feliz com sacolinha e ovo de páscoa, de curtir os brigadeiros, os refris e o dia inteiro de piscina entre os amigos. Olhando assim, mesmo deslocada em alguns momentos, pude sentir uma alegria por ter partilhado com eles, por ter vencido o que seria preguiça ou cansaço, para apenas me permitir ser mãe nesse domingo. Uma mãe feliz.
Melhor da festa foi fazer o caçula vencer o medo e entrar na piscina mesmo sem saber nadar. Uma saia leve, pelos joelhos, foi perfeita para ficar junto da água, que preocupada não descuidei no início desse menino enquanto se sentia inseguro. Fui me afastando aos poucos e aproveitei para curtir o sol, estendendo a saia entre as pernas para ela secar mais rápido. Longe das mães e próxima às crianças, creio que fiquei uma meia hora embaixo do sol. Tão bom, fazer nada assim.
Momento de me aproximar, para ninguém pensar que sou bicho do mato. Falo mais com a dona da casa, com a mãe de uma coleguinha do meu filho mais velho, simpática e agradável. Mas eis que aparece uma esquisita por lá, a falar baixo, a puxar a outra como a contar segredos, ui, isso me dá impaciência! E só tinha guaraná, que era festa de criança, nada mais justo (mas se tivesse um pai na área, garanto que tinha saído uma cerveja, tenho certeza).
Após quase seis horas de comemorações, fomos pra casa, curtindo a leveza de encontrar, quase no final da festa, uma amiga querida. Dessas mães que também se sentem isoladas no meio das muito certinhas e envolvidas em seu próprio grupo de conhecidas. Escuto-a dizer que se soubesse da minha presença teria ficado. Mas como cheguei tarde (mais de uma hora de atraso), ela terminou indo embora, deixando o filho curtindo a festa.
Criança tem de ser criança, dizia. De brincar e ainda cantar com quem será no finalzinho do parabéns. De ficar feliz com sacolinha e ovo de páscoa, de curtir os brigadeiros, os refris e o dia inteiro de piscina entre os amigos. Olhando assim, mesmo deslocada em alguns momentos, pude sentir uma alegria por ter partilhado com eles, por ter vencido o que seria preguiça ou cansaço, para apenas me permitir ser mãe nesse domingo. Uma mãe feliz.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Passionnément
Recebo hoje o email de uma amiga. Ela declara, em uma alegre e despretensiosa constatação: preciso me apaixonar novamente.
Eita que dia desses estava pensando a mesma coisa. E como tem dia que a gente pensa nisso, né?
Pensa num abraço.
Pensa num corpo amigo e companheiro.
Pensa naquele dia em que aquele amor começou.
Sábado, em casa com meus filhos, bateu essa vontade. E fiquei tão feliz por ter essas crianças, sabendo que nunca, nunca, esse amor vai acabar.
E mesmo assim sabendo, que sou sabida, que ninguém, nem filho, pode substituir a necessidade que sentimos de nos apaixonar de novo.
Porque, assim como nós, eles também vão crescer, vão se apaixonar, vão viver histórias, perto ou longe, e não nos é dado o direito de impedir, até porque seria horrível.
Respondi à minha amiga, com toda a certeza do mundo: não há nada mais libertador do que ser capaz de amar. Do que se apaixonar querendo muito ser feliz, mas sem medo de quebrar a cara, porque essa a gente remenda, mas e a alma quando se apaga?
Numa das vezes me descobri apaixonada antes da festa de aniversário do meu filho mais velho. Ah, fazia tanto tempo, ou pouco, sei lá contar isso. Constatei que estava apaixonada enquanto enrolava brigadeiros! E assim que fiz a maravilhosa descoberta, passei uma mensagem para uma amiga de sempre: acho que me apaixonei. e ser capaz de sentir me libertou.
Pois é. A vida liberta.
Eita que dia desses estava pensando a mesma coisa. E como tem dia que a gente pensa nisso, né?
Pensa num abraço.
Pensa num corpo amigo e companheiro.
Pensa naquele dia em que aquele amor começou.
Sábado, em casa com meus filhos, bateu essa vontade. E fiquei tão feliz por ter essas crianças, sabendo que nunca, nunca, esse amor vai acabar.
E mesmo assim sabendo, que sou sabida, que ninguém, nem filho, pode substituir a necessidade que sentimos de nos apaixonar de novo.
Porque, assim como nós, eles também vão crescer, vão se apaixonar, vão viver histórias, perto ou longe, e não nos é dado o direito de impedir, até porque seria horrível.
Respondi à minha amiga, com toda a certeza do mundo: não há nada mais libertador do que ser capaz de amar. Do que se apaixonar querendo muito ser feliz, mas sem medo de quebrar a cara, porque essa a gente remenda, mas e a alma quando se apaga?
Numa das vezes me descobri apaixonada antes da festa de aniversário do meu filho mais velho. Ah, fazia tanto tempo, ou pouco, sei lá contar isso. Constatei que estava apaixonada enquanto enrolava brigadeiros! E assim que fiz a maravilhosa descoberta, passei uma mensagem para uma amiga de sempre: acho que me apaixonei. e ser capaz de sentir me libertou.
Pois é. A vida liberta.
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